sábado, 26 de maio de 2007

Capítulo 4: Maldito sapato!

Depois que todos se foram, João resolveu tomar mais uma cerveja e pensar numa maneira eficaz das pessoas lerem o que escreve. Obviamente, essa ação foi sem sucesso. A única alternativa que ele enxergou foi a de ir para casa e dormir abraçado com a pequena glória há pouco conquistada.

João andava vagarosamente e pensava em tudo ao mesmo tempo em que não pensava em nada. Sua cabeça era como uma televisão sendo vítima de um tio chato que muda de canal de quinze em quinze segundos.

Enquanto as pernas de João o guiavam e sua cabeça não conseguia parar em nenhuma idéia que atraísse sua atenção, uma moça dobrou a esquina da quadra à frente e começou a andar no mesmo lado da rua que ele.

Ela olhou para trás e, enxergando João, pôs-se a andar mais depressa. Naquela hora da madrugada, era impossível pensar boa coisa dos que andam pela rua. Sentiu um leve friozinho na barriga e procurou imaginar coisas que a acalmasse, já que em breve chegaria à sua casa.

João não notou a mulher, como também não percebeu nada a sua volta, pois se concentrava em achar algo para pensar.

Quando estava quase por desistir de fazer funcionar seu cérebro por aquele dia, eureca! Sintonizou dois canais que o agradava.

Agora João relembrava no prazer do reconhecimento há pouco conquistado e, também, na brincadeira acontecida naquela noite sobre o assassino que deixa cordas de violino no púbis de suas vítimas.

Enquanto João caminhava, ora pensava numa coisa, ora maquinava a outra...

As duas divagações começaram pequenas, mas foram crescendo. A concentração de João estava tão voltada em desenvolver as idéias, que começou a ficar mais desatento ao que acontecia ao redor.

Ao passo que seus neurônios trabalhavam a todo vapor, seu corpo começou a ficar mais agitado e, conseqüentemente, seu passo foi se apressando mais e mais.

A moça notou que o homem que andava na mesma calçada que ela acentuou seu andar e logo uma série de aflições tomaram conta dela. Como contra-resposta à ação de João, a mulher acelerou mais ainda as suas pernas e começou a fazer orações.

A mente de João trabalhava muito rápido! O rapaz começou a pular de um canal para o outro de modo tão veloz que, em certo momento, fundiu os dois e criou um terceiro. Como resultado dessa fusão, ele formulou esta idéia: qual seria o pensamento das pessoas se o assassino tivesse colocado poesias sobre o corpo das jovens?

Neste exato momento João não era capaz de enxergar mais nada! Todos os seus sentidos estavam voltados para o novo pensamento que havia acabado de conceber e, em resposta à agilidade da mente, suas pernas pareciam querer voar.

A aflição da moça cresceu de maneira proporcional ao som que os sapatos de João faziam ao ganhar velocidade. Ela notou que estava quase para perder o controle sobre si e procurou tomar providências.

Aceitou o fato de que o homem andava muito mais de pressa que ela e que, se nada fizesse, em pouco segundos ele a alcançaria. Com base nisso, adotou a seguinte medida: correr e, quando tomasse uma boa distância, gritar por socorro.

“Maldito sapato!” Foi esse seu pensamento quando o salto do seu calçado quebrou no momento em que principiava a corrida. A moça foi ao chão – supressa por demais com as peripécias da Fortuna para conseguir gritar. Foi capaz apenas de libertar as lágrimas para um breve passeio sobre seu rosto.

João, que nada via ou ouvia, estava em uma espécie de transe mental quando atropelou algo que estava no chão e caiu.

sábado, 19 de maio de 2007

Capítulo 3: O começo de tudo

xxxxxxxxJoão estava em casa. Seus dias estavam sem sentido. Primeiro, acreditou que seria professor. Falhou. Depois, que seria poeta. Igual fracasso. Agora se viu sem opções, nunca pensou que precisaria de um plano C.

xxxxxxxxAo acaso, retomou em pensamento a lembrança de um dia em que, depois de uma prova dificílima que o deixou estressado, descarregou toda a sua fúria em um pobre morador de rua que, sentado no chão, comia em paz cantando um trecho de uma música de Roberto Carlos.

João, que não compreendia a felicidade do mendigo, descarregou:

– Sabia que você é um perdedor? Isso mesmo. Um per-de-dor. É isso que você é! Quantos anos você tem? Trinta? Quarenta? Quem se importa, né? Você não é nada, cara. Você é apenas mais um que passa por esse mundo sem função alguma. Se você morresse hoje, hein? Quem se importaria? Nin-guém! Ninguém se importaria com você!

xxxxxxxxVoltou para o presente. Derramava uma lágrima enquanto tentava entender o porquê de ter feito aquilo com o pobre homem. Procurou a resposta por um bom tempo, mas não encontrou nada que justificasse. Deixou o assunto inacabado.

Já esquecido da tal maldade, dirigiu-se à cozinha para beber água. No meio do caminho, passou em frente ao espelho e parou. Levantou a camisa, segurou entre os dedos indicador e polegar um pedaço sobressalente de sua barriga.

– O que você está fazendo aí? – disse ele, rindo em seguida.

Deu um pulo para trás quando ouviu a voz do Roberto Carlos responder:

– Eu é que pergunto: o que você está fazendo aí?

João encostou-se à parede e arregalou os olhos. Seu coração batia em fusa. Olhou para todos os lados até que, de súbito, viu o mendigo da sua lembrança dentro do espelho. Sentou-se no chão, quase em estado de choque, enquanto aquele homem crescia em tamanho, dentro do espelho.

xxxxxxxxO mendigo ria, gargalhava e apontava para João que sussurrava, falava e gritava pedidos de desculpas pelo ocorrido no passado.

O riso do homem do espelho não cessava.

Em dado momento, a gargalhada parou e o mendigo, com a voz igual à de Roberto Carlos, começou a falar:

– Sabia que você é um perdedor? Isso mesmo. Um per-de-dor. É isso que você é! Quantos anos você tem? Trinta? Quarenta? Quem se importa, né? Você não é nada, cara. Você é apenas mais um que passa por esse mundo sem função alguma. Se você morresse hoje, hein? Quem se importaria? Nin-guém! Ninguém se importa com você!

xxxxxxxxTerminado o discurso, o riso voltou. João tremia e nada enxergava de tanto que chorava. Não agüentou. Pegou um sapato que apareceu do seu lado e jogou no espelho com toda a força que tinha.

Acordou.

xxxxxxxxO despertador tocava, já era dia. Estava suado. Precisou de alguns segundos para entender que estava sonhando. Foi tomar banho, precisava ir trabalhar. Prometeu a si mesmo que procuraria um psicólogo ou um psiquiatra, o que fizesse um preço melhor, para perguntar se era normal ter sonhos tão reais.

xxxxxxxxSeus pesadelos começaram depois do encontro com o chefe editorial. Sentia-se sem identidade e sem função neste mundo. Trabalhava desmotivado, não tinha paciência com ninguém e no final de cada dia ia ao bar gastar dinheiro e destruir o fígado.

xxxxxxxxO dia desse último pesadelo só não foi igual aos outros porque teve um desejo que não lhe ocorria há muito tempo: vontade de escrever. Não compreendia essa sensação, pois, desde o dia que em recebeu o sonoro e agressivo “não” da editora, perdeu o ânimo de criar um simples verso qualquer.

Quando chegou ao bar, sentou em um canto calmo e isolado e começou a escrever...

O tempo corria e João não largava da caneta e do papel.

O bar já estava fechando e ele estava com várias garrafas vazias e muitas folhas cheias de poesias. De repente, uma das pessoas que encontrou na festa dos seus ex-colegas de faculdade perguntou o que tanto escrevia.

João, com a idéia de um verso na cabeça, respondeu mecanicamente que eram poesias. O rapaz, curioso como um ganso, mostrou interesse em ler algumas, mas João, diante ao convite, sentiu-se bloqueado, retraído pelo passado, dos risos, dos apelidos e, principalmente, da última humilhação.

Quando começava a ensaiar uma desculpa esfarrapada, o inesperado aconteceu: o outro já estava com um de seus textos na mão, declamando em voz alta.

Tarde demais, pensou João enquanto fechava os olhos e reclinava a cabeça na mesa; sabia que logo viria outra chacota.

Entretanto, para seu espanto, após a leitura o rapaz o elogiou e começou a declamar outros versos que estavam no verso do papel. João abriu os olhos e não pôde disfarçar a empolgação que sentia ao ouvir suas poesias na voz de outra pessoa.

Estava tão aéreo bailando nos sons de suas rimas, que não viu que aos poucos um círculo de pessoas se formou ao redor deles para também ouvir as declamações.

Palmas eram batidas no final de cada texto e, uma por uma, todas as poesias feitas por João naquela noite foram lidas.

O tempo correu, os textos acabaram e as pessoas se foram. Para João ficaram os elogios e as cobranças para que escrevesse um livro. Ele as rebatia com um sorriso amarelo e algumas frases vagas de tom pessimista.

João, com um sorriso no canto da boca, sabia que a volta para casa seria diferente dos outros dias.

Só não sabia que, o que aconteceria na rua nos próximos minutos, poderia mudar tanto a sua vida...

sábado, 12 de maio de 2007

Capítulo 2: A última investida

– Desculpe-nos, senhor...

– João – prontificou o rapaz, em auxílio ao chefe editorial que o havia atendido, em pé, em frente à sua sala, sem ao menos convidá-lo para entrar e tomar uma xícara de café enquanto conversavam.

– Isso! João... Como pude esquecer... Não repare, mas o excesso de trabalho contribui para minha falta de memória. Mas então, como ia dizendo, desculpe-nos senhor João, mas não podemos publicar suas poesias. O senhor escreve muito bem, porém a editora está entrando em uma fase de corte de gastos e...

E por aí seguiram as desculpas do chefe editorial, que João, ingenuamente, pensou ser a pessoa que lhe daria a oportunidade há tanto tempo perseguida.

Aquelas explicações seguidas de gentis pedidos de desculpas acabaram com todas as esperanças que havia alimentado antes desse editor entrar em sua vida.

João tentou argumentar sobre a qualidade de seus trabalhos, mas o editor começou a se mostrar impaciente. O rapaz foi tão incisivo na tentativa de convencê-lo do quão bom eram seus poemas que, inconscientemente, começou a aumentar o tom de voz. Isso foi irritando tanto o editor que, em certo momento, não agüentando mais a presença de João em sua frente, respirou fundo e descarregou:

– Chega! Escuta aqui, seu moleque: eu trabalho nesta editora há vinte anos! Vinte anos, você me ouviu? E nunca! Eu disse nunca! Nem aqui nem na China vi chefes editorias publicarem poesias de um Zé-Ninguém que vem bater na sua porta pedindo para que você leia porcarias e fiquem elogiando! Eu só te atendi porque você não parava de me torrar a paciência com seus e-mails insistentes! Agora some daqui e leve essa caixa cheia de lixo!

Foi ofendido quando menos esperava e isso o deixou sem chances de defesa. A única coisa que conseguiu fazer foi obedecer ao editor, saindo porta afora sem olhar para trás.

João pensou muito no que aquele editor falou e não se lembrou de nenhum poeta que surgiu da noite para o dia e teve suas poesias publicadas e reconhecidas.

Sempre haviam suas exceções, mas, como regra geral, notou que todos os poetas que tinham seu espaço no cenário cultural tiveram algum papel de destaque na sociedade antes de alcançar a fama pelo mérito de suas obras. Infelizmente as pessoas só dão credibilidade àquele que é uma figura conhecida de todos e não ao que possui idéias inteligentes e úteis, pensou.

Tudo o que mais queria fazer na vida não teria valor algum se, antes de tudo, não fosse famoso. Isso foi um choque.

João ficou tão irritado pela impotência de ter trabalhos de qualidade e saber que nunca teria algum prestígio por meio deles, que jogou a caixa com todas as suas poesias na primeira lata de lixo que achou pela rua.

Foi beber; era assim que respondia às vitórias ou derrotas. Passou os três períodos do dia em um bar que freqüentava desde a época da faculdade. A Taverna, um bom bar.

Era noite e João já havia bebido demais quando encontrou um conhecido de muito tempo. Esse o convidou para uma festa em um apartamento próximo dali. João tentou recusar, mas o outro foi tão insistente que acabou cedendo.

Na festa, João encontrou antigos amigos da época da graduação e, em meio a bebidas e cigarros, relembraram os velhos tempos e as muitas aventuras que aprontaram.

A noite foi caindo e as pessoas saindo. Poucos estavam com alguma consciência quando começaram a conversar sobre literatura. O grupo falou de livros estrangeiros e nacionais, clássicos e contemporâneos até que, em dado momento, comentaram com certa graça o enredo de um livro do Jô Soares em que um louco matava moças e colocava cordas de violino em seus púbis. Inventaram muitas coisas que o assassino poderia colocar no lugar das cordas.

Quando a brincadeira virou algazarra de bêbados, o dono do apartamento colocou todo mundo para fora.

João foi para casa dormir. No caminho, totalmente esquecido da derrota que teve naquele dia, sorria ao se lembrar da festa. Graças ao álcool, conseguiu ter um pouco de diversão antes da semana que teria que enfrentar...

sábado, 5 de maio de 2007

Capítulo 1: A nuvem mais alta que tocou com os pés

João pulou da cama, tomou um bom banho quente cantarolando a melodia de A Cavalgada das Valkirias de Wagner e colocou a sua melhor roupa, fazendo todo o barulho possível sem se importar com seus vizinhos mal humorados que resmungavam no andar debaixo.

João nunca era assim. Sempre foi uma pessoa quieta e fechada. Um homem de muitos pensamentos e poucos sorrisos, mas que naquele dia em especial não conseguia conter sua ansiedade.

De cinco em cinco minutos ia para frente do espelho e ensaiava uma voz parecida com a de atores famosos quando encarnam uma personagem inteligente e importante que discursa sobre como irá salvar o mundo ou algo assim. Treinava também algumas palavras difíceis que poderiam ser úteis na conversação que teria em duas horas com o chefe editorial de uma editora conceituada no mercado que prometeu ler e analisar alguns de seus escritos com a promessa que talvez o colocasse no seu time de escritores.

O encontro com esse homem era a chance mais expressiva de publicação de um livro de poesias que João conseguiu nos seus curtos vinte e cinco anos de existência.

O gosto pela poesia não era algo recente na vida de João. Resolveu ser poeta ainda muito jovem, mais precisamente quando sua professora da segunda série do ensino fundamental pediu para os alunos escreverem versinhos para suas mães. O pequeno João tomou tanto gosto pelo ofício que desde aquele dia não parou mais de escrever.

Depois daquele dia na escola, todos os presentes de datas importantes que dava eram poesias. Não havia uma pessoa do seu círculo de amizade que não tivesse sido presenteada com versos seus.

Ao contrário dos que afirma que todo o abismo é navegável a barquinhos de papel, o hábito exótico do pequeno João era motivo de zombaria para muitos, fazendo com que o pobre garoto recebesse alcunhas do tipo: Poetinha, Poeteiro e Camõezinho. Essa última era a predileta de sua mãe que, sem maldade alguma, acabava sempre por envergonhá-lo na frente de outras pessoas ao chamá-lo assim em público.

Por conseqüência das tais brincadeiras, não precisou de muito tempo para que o menino se retraísse até o ponto de parar de presentear as pessoas com suas obras.

Diferentemente do que você deve estar pensando agora, esse modo da sociedade agir com o menino João não o fez perder o gosto pela poesia, mas sim mudou seus hábitos: agora guardava tudo o que escrevia a sete chaves, só para si.

Apensar de não mostrar seus poemas a ninguém, sempre sonhou em ser um poeta reconhecido algum dia. Não vou dizer que esse era o único sonho daquele garoto, pois como dizia o gênio caolho português, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança. Com João não foi diferente. O tempo passou para ele e um novo desejo apareceu, ganhando o status de sonho oficial. Sem mais mistérios, digo que o rapaz, em certa fase da sua vida, cultivou a vontade de ser professor de literatura.

Os anos se passaram e João perdeu os epítetos: pequeno, menino e garoto. Agora João era apenas João.

Sem parar de poetar, apaixonava-se cada vez mais pelas letras. Gostava muito de estudar português, literatura e culturas antigas. Cursou Letras na faculdade e desde o primeiro ano teve várias idéias para incentivar o gosto pela literatura de seus futuros alunos. Entretanto, como nada que seja perfeito e feliz possa virar história de livro, devo narrar algo muito triste que aconteceu com João:

Em pouco tempo de faculdade descobriu que nunca conseguiria por as tais idéias em prática, pois, como seus professores sempre faziam questão de ressaltar, não adiantava nada ter idéias para mudar o mundo se o mundo não quiser mudar de idéias.

O tempo correu mais um pouco para ele e, finalmente, concluiu o curso superior. Nunca chegou a lecionar. A academia conseguiu desmotivá-lo de tal maneira ao mostrar como era a vida de um professor, que logo abandonou esse sonho e voltou à idéia de ser poeta.

Seria um crime dizer que a faculdade foi algo totalmente sem valor para o rapaz, pois, muito pelo contrário, colocou-o em contato com o pensamento de vários escritores e filósofos e o fez aprofundar-se mais em sua língua materna, o que era muito necessário para seguir o seu antigo sonho.

Por falar em sonho, vamos a mais um dissabor da vida de João: as tentativas para viver das suas poesias foram muitas e, fatalmente, todas sem sucesso.

Para se ter uma idéia, participou de concursos, distribuiu suas poesias gratuitamente na rua, declamou alguns versos em frente aos carros que esperavam o semáforo abrir e muito mais. Entretanto tudo que conseguiu foi uma promessa de receber um prêmio pelo correio – que nunca veio – alguns elogios de jovens no meio da rua e algumas buzinadas de um motorista apressado.

Mas agora era diferente. Iria conversar com a pessoa que poderia colocar o primeiro degrau da sua escada do reconhecimento literário.

Faltando uma hora para a entrevista, saiu de casa, tomou um ônibus até o centro da cidade e de lá foi caminhando em direção à editora, que não ficava muito longe. Enquanto caminhava, falava sozinho, discursava, respondia possíveis perguntas que o editor poderia fazer, imaginava-se como se levantaria para apertar a mão do homem e qual assinatura usaria nos autógrafos que espalharia na rua.

Sua cabeça ia a mil. Aproveitava para olhar tudo ao redor, uma vez que depois de ser uma figura conhecida do público não poderia mais caminhar em paz.

João estava tão confiante na entrevista que teria em breve, que até parou em frente a uma ótica e começou a namorar uns óculos que julgou excelentes para os dias em que teria que sair de casa sem ser reconhecido, devido a enorme fama que possuiria após ter publicado seu livro.

Dos muitos passeios intergalácticos que João fez, a nuvem mais alta que ele tocou com seus pés foi quando olhou para um outdoor vermelho e branco no alto de um prédio e imaginou sua foto sorridente lá encima, apontando com o dedo indicador para baixo com os dizeres saindo de sua boca: “Eu sou poeta porque bebo Coca-Cola, e você? Vai ficar de fora dessa?”.